Quando nós celebramos o terceiro domingo do Advento, chamado domingo da alegria, talvez pudéssemos pensar, por que, de fato, nos alegrarmos? Poderíamos pensar, hoje, será que temos mais motivos para nos alegrar ou para nos entristecer, para nos deprimir, para nos desanimar?
O que acabamos de rezar agora, através do Salmo, esse trecho do profeta Isaías (Is 12,2-6), no capítulo 12, é o principal motivo pelo qual nós hoje podemos nos alegrar, “Exultai, cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio, o Deus Santo de Israel”.
Aqui está a principal razão para nos alegrarmos. A certeza de que Deus está em nosso meio. Ele está no meio de nós, foi o que acabamos de falar no início do evangelho. A certeza da Sua presença é o principal motivo da nossa alegria, motivo esse, que nada nem ninguém pode tirar. Nada nem ninguém pode ser maior, na nossa vida, do que a certeza do Senhor que está no meio de nós. E mais ainda, está presente também com o Seu Espírito. De tal maneira que esse Espírito, que nos habita, que nos guarda, que nos conduz, também faz gerar em nós, o fruto da alegria, a alegria que deve nos marcar. Não é uma alegria momentânea. Não é uma alegria da churrascada de domingo, não é alegria da bebedeira do sábado à noite, não é alegria que passa com o efeito do álcool, que passa com o efeito da droga. Não é uma alegria que passa, a alegria que nós experimentamos e que podemos experimentar, como dizia Paulo, na 2ª leitura (Fl 4,4-7), é a alegria do Senhor. Alegrai-vos sempre no Senhor. E se Ele é o motivo verdadeiro da nossa alegria, nós podemos nos alegrar hoje, amanhã e todos os dias da nossa vida, porque Ele jamais nos será tirado. O motivo real, profundo, da nossa alegria tem um nome, tem um rosto, que nos acompanha todos os dias da nossa história.
Exatamente por isso, Paulo nos convidava, na 2ª leitura, a tomarmos consciência do Senhor que vem. “O Senhor está próximo!”!E o que faz a sua proximidade na nossa vida? Vejam com muita atenção, meus irmãos, o que Paulo acabou de nos dizer:
“Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. E a paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, guardará os vossos corações e pensamento em Cristo Jesus” (Fl 4, 6s).
Será que nós guardamos essa palavra? Será que nós a vivemos de fato? Vejam de novo: “Não vos inquieteis com coisa alguma.” Estas palavras, meus irmãos, são mais fortes do que uma dose de Rivotril à noite. “Não vos inquieteis com coisa alguma”. É Deus nos cuidando, nos guardando, todos os dias da nossa vida. Quantas vezes essa palavra não penetra na nossa vida? Quantas vezes essa palavra cai, como uma chuva do céu, não limpa nosso coração, não nos muda! A gente volta pra casa num afã de resolver tudo, preocupado com tudo, ansioso com tudo, gritando com tudo. “Não vos inquieteis com coisa alguma”.
Quando o problema bater à porta, a gente tem que dizer para nós mesmos, ‘não vos inquieteis com coisa alguma’. Isso não é uma vida passiva, não é uma vida de comodidade, não é uma morbidez da vida, mas é uma vida de fé, de um homem, de uma mulher, que crê que Deus o conduz, que Deus o conduz, que Deus o guarda, que Deus o sustenta. E por isso nós vamos inquietar com o quê? Nós, meus irmãos, temos uma palavra de salvação. Nós estamos toda semana aqui ouvindo uma palavra que nos alimenta. Nós comemos o corpo do Senhor pra quê? Para ficarmos desesperados? O que é isso? Que fé é essa que nós temos?
Meus irmãos, essa palavra hoje precisa dissipar toda a inquietação, toda a amargura, tudo aquilo que nos angustia, porque nós temos um Deus que é maior. Paulo diz: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31) Fome, tribulação, perigo, nudez, espada, pandemia? Em tudo isso somos mais que vencedores, graças Àquele que nos amou.
Nosso problema, meus irmãos, é que nem sempre cremos no que ouvimos. Nem sempre nós vivemos a fé que professamos! Professamos da boca para fora, falamos que somos católicos, falamos que vamos à missa, mas a fé não nos transforma, não nos converte. Nós continuamos os mesmos.
Hoje nós precisamos ir até João Batista, como esse povo, e perguntar também a ele: ‘Mestre, o que eu devo fazer?’ O que devemos fazer? O que devemos mudar na nossa vida? Sofonias na 1ª leitura (Sf 3,14-18a), nos dava a certeza de que nós vamos combater, que nós temos combate, que nós temos problemas, que nós temos dificuldades, mas que não estamos sozinhos. “Naquele dia, se dirá a Jerusalém: Não temas ó Sião! Não te deixes levar pelo desânimo. O Senhor, teu Deus está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva”. Ou cremos meus irmãos, ou não cremos e é melhor ir pra casa ver televisão. Essa palavra é palavra de salvação pra mim, pra você. Essa palavra é a palavra que nos sustenta, que nos alimenta, que dá esperança, que nos dá força para voltarmos pra casa, iniciarmos a semana, na certeza de que Deus combate a nosso favor, de que Deus está conosco, que podemos enfrentar tudo na vida, na certeza de que, mesmo que daqui a pouco, ao chegar em casa, encontremos todos os problemas que deixamos lá, nós não seremos os mesmos, não voltaremos os mesmos, porque escutamos essa palavra, porque nos alimentamos do sangue do Senhor.
Que possamos hoje, cumprir aquilo que acabamos de cantar na aclamação ao evangelho: “Ouço uma voz vindo da montanha, preparai o caminho do Senhor”, preparemos! Como esse povo que ia ao encontro de João Batista, também nós acorramos até João Batista, perguntemos a ele hoje, o que eu devo fazer, mestre?
O que eu e você podemos e devemos fazer para preparar o Natal do Senhor? Nós estamos sempre preocupados, nos ocupamos com tantas coisas. O que é que vamos fazer no dia 24? e dia 25? dia 31? Vamos para onde? O que vamos comer, o que vamos dar de presente? Não é essa a pergunta que o povo fez a João Batista, e não é essa a pergunta que nós devemos fazer? Uma pergunta que sai do nosso interior e muda o nosso interior, volta para o interior! Não a pergunta exterior, o que eu devo fazer? Na minha casa? Como marido, como esposa, como filho, como pai, como profissional, como vizinho, o que eu devo fazer?
Não permitamos meus irmãos que seja mais um Natal. Não permitamos que seja mais um ano que acaba. E tudo vai continuar da mesma forma. Não permitamos que a chuva do céu caia e volte sem produzir frutos na nossa vida. Que como diz Isaías (Is 55,10s), a Palavra de Deus vem do céu, como a chuva que irriga a Terra e volta produzindo frutos. Que nós, hoje, a exemplo de João Batista, também possamos acolher a Boa Nova da salvação que nos é dirigida, e que também nós sejamos capazes de proclamar essa mesma Boa Nova, de muitos modos, a exemplo de João Batista.
Exultai cantando, alegres habitantes de Sião. Porque é grande em vosso meio, o Deus Santo de Israel.
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