O que o Senhor acabou de relatar no evangelho, que escutamos, é a certeza de que todos nós nos encontraremos com Ele, um dia, definitivamente. O encontro definitivo com o Senhor, quando Ele voltar em Sua segunda vinda, como dizemos, para julgar vivos e mortos.
Mas o Senhor não apenas virá uma segunda vez, o Senhor vem, continuamente ao nosso encontro. E ao iniciarmos esta caminhada, do ano litúrgico, no 1º domingo do Advento, a liturgia nos conduz, exatamente, a uma preparação para celebrar a sua primeira vinda. Para que estejamos prontos para o encontro com Ele. E essa preparação todos nós a fazemos, às vezes até a fazemos inconscientemente. Mas muitas vezes a preparação que fazemos acaba sendo meramente exterior. Arrumamos as coisas, arrumamos a casa, mas nem sempre cuidamos do que é mais importante. Nem sempre nós cuidamos de preparar o nosso coração para encontrá-lO, para O recebermos.
No evangelho, o Senhor nos convidava a uma atitude de vigilância, a uma atitude de atenção, para que, quando Ele vier, não nos encontre dispersos, distraídos, e não nos encontre, sobretudo, despreparados. Por isso, hoje, poderíamos nos perguntar: estamos prontos? Preparados para o encontro com Ele? Será que hoje nós podemos nos encontrar com Ele, como agora estamos fazendo? Como daqui a pouco faremos, ao recebermos a Eucaristia? Todos nós, quando vamos receber uma visita, normalmente, vamos organizando os espaços da nossa casa, para que tudo esteja, minimamente, ordenado.
Mas às vezes, no encontro com o Senhor nós não nos preocupamos em nos preparar; de certa maneira, vamos nos habituando e nem nos preocupamos em preparar o lugar pra Ele. Para Sua chegada, para que Ele nos encontre vigilantes, preparados. Não há pra nós, receita melhor, do que o que Paulo nos acabou de mostrar, na 2ª leitura (1Ts 3,12-4,2), escrevendo aos Tessalonicenses.
A primeira coisa que o apóstolo propõe, pra nós, como preparação, é exatamente, o de que nós mais necessitamos: o amor que transborde, e para com todos, aumente e transborde sempre mais. Se estamos no amor, se estamos amando, estamos com o Senhor. Estamos no Senhor. Por isso estamos prontos, mas é preciso que esse amor entre nós cresça. Que esse amor amadureça, que esse amor se desenvolva, sobretudo entre nós, por exemplo, que vivemos debaixo do mesmo teto. Até porque, muitas vezes, nós somos amáveis demais, com os que estão fora; com os que estão dentro, nem sempre. É preciso que nos amemos completamente, de modo que como dizia Paulo, nós estejamos cada vez mais preparados, numa santidade irrepreensível, numa santidade sem defeito, pra nos encontrarmos com o Senhor da nossa vida.
Ao mesmo tempo, Paulo elogiava os Tessalonicenses, porque eles estavam progredindo. Mas Paulo dizia: é preciso progredir mais, é preciso crescer mais. Às vezes este é o nosso desafio. Infelizmente, muitos de nós, em nossa caminhada cristã, vamos estacionando. Hoje as pessoas estão dizendo que nós já não estamos mais numa Igreja em saída, como propunha o Papa Francisco, mas estamos numa Igreja estacionada, e às vezes somos nós que estamos estacionados, não estamos progredindo! Pense, em como celebramos o Natal no ano passado, e como estamos agora. É preciso progredir, é preciso crescer na caminhada cristã, como dizia Santo Agostinho, ‘quem não progride, quem não anda pra frente, regride’.
Às vezes, meus irmãos, nós vivemos uma tentação muito grande na Igreja. Quando vamos nos justificando, às vezes até dizendo, estou na Igreja desde que nasci… Sempre fui da Igreja. Mas isso não justifica sua mediocridade, isso deveria ser um impulso para você ser melhor, para ser mais Santo, para viver melhor sua fé. De modo que, como dizia Jesus, não nos deixemos levar por um coração insensível, um coração endurecido, um coração onde a Palavra de Deus não entra mais! Não fecunda mais, porque estamos insensíveis. Somos, muitas vezes, cristãos impermeáveis. A Palavra não penetra mais na nossa vida. Estamos aqui todos os domingos, escutamos essa Palavra todos os domingos, mas voltamos para casa como se nada tivesse acontecido. É como se nós viéssemos aqui, só pra bater o cartão, bati o cartão e volto para casa.
Essa Palavra, meus irmãos, deve fecundar o nosso coração, deve germinar o terreno da nossa vida. Hoje, nós precisamos pedir ao Senhor que nos dê seu Espírito para transformar nossa vida, nosso coração, para que nós vivamos aquilo que rezávamos no Salmo responsorial (Sl 24): “Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma”, manifestando o nosso desejo de estar com Ele. E ao mesmo tempo, pedíamos: “Mostrai-nos, ó Senhor, vossos caminhos e fazei-me conhecer a vossa estrada. Vossa verdade me oriente e me conduza.
Que o Senhor, hoje, nos conduza, nos oriente, e que nós sejamos dóceis, sejamos sensíveis a Ele, a Sua ação, ao Seu Espírito, que nos conduz. Para que assim, o encontro com Ele seja para nós motivo de alegria, motivo de esperança, de realização. Que Ele nos encontre, como Ele mesmo acabou de nos dizer no evangelho (Lc 21,25-28.34-36), atentos e orantes. “Ficai atentos e orai, a todo momento.” Que estejamos atentos a Ele, a Sua Palavra e a Sua presença, que passa pela nossa vida. E que ao mesmo tempo, nós todos nos empenhemos, como diz Paulo aos Tessalonicenses, ao orarmos, sem cessar, todos os dias, todos os momentos da nossa vida. Que estejamos em comunhão com o Senhor, para que assim, nós voltemos ao Senhor e diremos: “Vinde, Senhor, vinde e fazei a Vossa morada em meu coração, na minha vida, na minha família e na minha casa”.
“Então eles verão o filho do homem, vindo numa nuvem, com grande poder e glória!”
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