– Como você está, rapaz?
– Correndo, correndo… sem parar.
– Mas você não é aplicativo da Nova Dutra!
Ele sequer ouviu. Típico homem de negócios, de importância anestesiante; típico solitário, de exuberante nulidade.
Quando irá parar de correr para deixar que a própria verdade venha à tona? Quantos estresses serão necessários para provocar um balanço? Às vezes, o balanço provoca a crise, e ela é sempre necessária para uma revisão de padrões. Seja como for, não deveria ser saudável passar pela vida correndo e fazendo-de-conta. Tudo tem preço!
O preço da ausência de si mesmo é pago com angústias, raivas, ódios, doenças, tristezas, depressão. Daí, é só esperar que eles chegam: os comportamentos autodestrutivos.
Que podem ser:
1) altas velocidades: no carro, na vida, no jeito de ser e agir;
2) intensificação de exigências desnecessárias;
3) ressentimentos mantidos sob vigilância em prol de uma felicidade de plástico;
4) fugas para pequenas delinquências: faltas no trabalho, relacionamentos de todos os naipes sempre desprotegidos, exposição a lugares onde possa ser desmascarado;
5) busca de compensações alienantes;
6) descompensações compulsivas: comida, bebida, cigarro, consumo… a lista não acaba;
7) desconexão com a vida familiar;
8) doenças psicossomáticas, sobretudo, preferentemente cardíacas nos homens;
9) perda do sentido da autenticidade, da verdade e da capacidade de amar.
Essa é a hora de informar que algo não lhe vai bem. No começo, é só uma sensação de vazio. No final, você encontra o vazio: competição e solidão. Aliás, competição é solidão.
Como fabricar um homem? Existe uma linha básica de produção?
Precisamos rever essas coisas. E não temos muito tempo: ele não corre a nosso favor.
Arte: Thiago Maia