
Seguindo uma tradição do Estatuto da entidade, após ser escolhido pelos bispos do Brasil para dirigir a CNBB, à pergunta se aceitaria o exercício da função feita pelo então presidente da entidade, o cardeal Sergio da Rocha, o arcebispo de Belo Horizonte respondeu: “Aceito com humildade, aceito com temor e aceito à luz da fé”.
Mal sabia ele, nesta primeira manifestação, que sua gestão seria marcada como um dos períodos mais difíceis da história da humanidade e do Brasil. Mas foi mesmo com humildade, com temor e à luz da fé, que dom Walmor conduziu a CNBB, como seu presidente, nos últimos 4 anos.
O portal da CNBB conversou com os quatro membros da presidência para levantar qual o balanço fazem deste período. Dom Walmor, que é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico (Roma, Itália), apontou os grandes desafios que enfrentaram nos últimos quatro anos (pandemia e polarizações-ideológicas) bem como quais as prioridades que a CNBB e a Igreja no Brasil devem trilhar no próximo quadriênio. Acompanhe, abaixo, a íntegra das respostas.

Quais desafios foram enfrentados pela presidência da CNBB neste último quadriênio?
A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enfrentou muitos desafios. Neste último quadriênio, o mundo sofreu com as consequências de uma grave pandemia, que vitimou muitas pessoas, enlutou famílias. A Igreja, neste contexto, mesmo nas fases mais agudas de transmissão da doença, com o necessário distanciamento social, intensificou ainda mais o seu trabalho de amparo espiritual e social. Para isso, rapidamente aprendeu a lidar com as novas ferramentas tecnológicas de comunicação, fazendo-se presente no dia a dia das pessoas de muitas formas. Criou também ações para minimizar o sofrimento daqueles que passaram pelas consequências econômicas da pandemia, referência especial à iniciativa “É tempo de cuidar”. Oportuno dizer que, neste último quadriênio, o Brasil viveu uma escalada das polarizações, com rupturas, inclusive, dentro das famílias, provocadas por desavenças político-ideológicas. Um cenário triste, emoldurado pela disseminação crescente de notícias falsas. Um momento ápice dessas polarizações foi vivenciado no último processo eleitoral.
A CNBB, coerente com o que ensina Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor, sempre se manteve ao lado dos pobres, fiel aos valores do Evangelho, elevando, corajosa e profeticamente, a sua voz, para denunciar ameaças à sociedade e à democracia, e descasos para com os mais pobres. Fiel a esse compromisso, a CNBB buscou sempre o caminho do entendimento e do diálogo, unindo-se a instituições sérias, de credibilidade, em um grande Pacto pela Vida e pelo Brasil.
Cada gesto da presidência não foi ato monocrático, mas fruto de uma escuta atenta, sempre em busca de expressar o que vem do coração de todo o episcopado brasileiro. A CNBB é instância e expressão da colegialidade dos Bispos do Brasil, em profunda unidade com o magistério do amado Papa Francisco.
Quais prioridades para a CNBB e a Igreja no Brasil considerando o próximo quadriênio?
A Igreja Católica, em todo o mundo, busca investir cada vez mais na sinodalidade, acolhendo convocação vinda do luminoso magistério do Papa Francisco. A CNBB, que já é expressão da sinodalidade na Igreja, reunindo as muitas contribuições do episcopado brasileiro, a participação de evangelizadores consagrados e cristãos leigos e leigas, precisa avançar sempre mais neste caminho sinodal. Isto significa intensificar continuamente os nossos serviços às muitas comunidades de fé, em todo o território nacional, promovendo mais ampla participação, com atenção especial à participação das mulheres.
Importante lembrar que as novas Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora no Brasil serão construídas também a partir do exercício da sinodalidade, reunindo contribuições do documento final do Sínodo dos Bispos. Haverá, pois, um caminho bonito no próximo quadriênio, fruto da ampla escuta que a Igreja vem fazendo para este processo sinodal, e que levará também às novas Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora no Brasil.

Íntegra com arte da CNBB