Felicitações e orações a todos os diáconos de nossa Igreja

A Igreja Particular de Niterói, hoje dia 10 de agosto, em que a Igreja celebra a memória de São Lourenço, testemunha do Evangelho e do serviço aos pobres, se unem em oração por todos os diáconos, para que Deus em sua Infinita Misericórdia, renove a cada dia a vocação pelo serviço. O diácono é ícone de Jesus Cristo servidor: o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida como resgate por muitos (Mt 20,28). Jesus nos ensinou que quem quiser ser o maior deve ser o servo de todos (cf. Mc 10,42-45) e esteve entre nós como aquele que serve: “Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve!” (Lc 22,27).

As mais recentes Diretrizes para o Diaconato Permanente da Igreja no Brasil, Documento 96 da CNBB (2012), assim se expressam: “No contexto da ministerialidade da Igreja e, mais especificamente, no âmbito do ministério ordenado, o diácono define-se como sacramento de Cristo Servo e como expressão da Igreja servidora” (CNBB, Doc. 96, n.28). O tema do serviço está bastante presente no Novo Testamento: o verbo diakonêin aparece 36 vezes, o substantivo diakonía 30 vezes e, com significados diferenciados, a expressão diákonos ocorre 34 vezes.

O diaconato é ministério presente desde o início da Igreja, e o Magistério da Igreja vê a sua origem na escolha dos sete homens dos Atos dos Apóstolos 6, 1-11. Os Doze convocaram então a multidão dos discípulos e disseram: “Não é conveniente que abandonemos a Palavra de Deus para servir às mesas. Procurai, antes, entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos desta tarefa. Quanto a nós, permaneceremos assíduos à oração e ao ministério da Palavra”. (…) “Apresentaram-nos aos apóstolos e, tendo orado, impuseram-lhes as mãos” (At 6,2-4.6). Há referências explícitas aos diáconos, nas cartas de Paulo: Fl 1,1; 1 Tm 3,8-13.

O diaconato estabeleceu-se na Igreja, como ministério estável, entre os séculos II e V, o que é amplamente documentado: Didaqué, Santo Inácio de Antioquia, Hermas, Didascalia Apostolorum, São Clemente de Roma, Hipólito de Roma, O Testamento do Senhor. No primeiro momento, o ministério diaconal cuidou, particularmente, da caridade, depois vieram os serviços do culto e da pastoral.

Por vários motivos, o diaconato permanente entrou em decadência no Ocidente e tornou-se apenas etapa transitória, em vista da ordenação presbiteral. O Concílio de Trento quis restaurar o diaconato permanente no Ocidente e o Concílio Ecumênico Vaticano II, efetivamente, restabeleceu o diaconato permanente (cf. Lumen Gentium 29), apresentando condições teológico-pastorais favoráveis ao seu exercício: eclesiologia de comunhão e participação, teologia da diversidade de carismas e ministérios, o poder compreendido como serviço e a necessidade pastoral (cf. CNBB, Doc. 96, n. 4).

Por João Dias
Foto: domínio público

O Papa: como São Lourenço, testemunhas do Evangelho a serviço dos pobres

Texto: Amedeo Lomonaco – Vatican News

Recordamos a vida e o martírio deste Santo, que a Igreja comemora em 10 de agosto, através de alguns dos lugares espalhados pela cidade de Roma. No final da audiência geral, o Papa expressou a esperança de que a festa litúrgica de hoje desperte em todos o desejo de seguir seu exemplo.

Desde os primeiros séculos do cristianismo, São Lourenço é geralmente retratado como um jovem diácono vestido com a dalmática. Padroeiro dos diáconos, cozinheiros e bombeiros, São Lourenço oferece um extraordinário testemunho de amor a Cristo, marcado por sua solicitude pelos pobres, seu generoso serviço à Igreja de Roma e seu martírio: ele ajudava o Papa na celebração dos ritos, distribuia a Eucaristia e administrava bens e ofertas para suprir as necessidades dos pobres. É assim que o Papa Francisco recordou dele na audiência geral desta quarta-feira (10/08), na sua saudação aos peregrinos de língua italiana:

“Que a festa litúrgica de São Lourenço, diácono e mártir da Igreja de Roma, desperte em cada um de nós o desejo de testemunhar o Evangelho, sempre disponíveis para os pobres e os que se encontram em dificuldade”

Martírio e testemunho

Em 258 d.C., foi emitido o decreto do Imperador Valeriano com o objetivo de dizimar a hierarquia da Igreja. O prelado de Cartago, Ciprião, escreveu em uma carta que o Papa Sisto II sofreu o “martírio com quatro diáconos no dia 6 de agosto”. Fontes históricas relatam que Lourenço, após a morte do Pontífice, apareceu diante do prefeito acompanhado por uma multidão de aleijados, doentes e pobres. “Os tesouros da Igreja – afirmou – são estes”. Foi condenado à morte. De acordo com uma antiga “paixão”, coletada por Santo Ambrósio, seu corpo foi “queimado em uma grelha de ferro”. São Leão Magno, em uma homilia, comenta o atroz martírio da seguinte forma: “As chamas não podiam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que o queimou por fora era mais fraco do que o que o ardia por dentro”. A suplício de São Lourenço inspirou obras de arte, textos de piedade e ditos populares. A noite de 10 de agosto é tradicionalmente associada com o fenômeno das estrelas cadentes. Elas são consideradas evocativas das brasas queimadas sobre as quais o santo foi martirizado.

 

Os lugares de São Lourenço em Roma

A cidade de Roma está muito ligada à vida e ao martírio do Santo. A igreja de São Lourenço in Fonte preserva os minúsculos espaços da prisão do jovem a quem o Papa Sisto II havia confiado o serviço de cuidar dos pobres. Nas paredes da única pequena nave há duas portas: na arquitrave da esquerda, a inscrição indica a entrada do hipogeu onde o diácono, usando uma fonte de água batizou não só seu companheiro de prisão Lucillus, mas também seu carcereiro, o centurião Hipólito. A igreja de São Lourenço in Panisperna fica no local do martírio. Na igreja de São Lourenço in Lucina está conservado o ferro utilizado, segundo a tradição, para o martírio do jovem diácono. Após sua morte, seu corpo foi colocado em um túmulo na Via Tiburtina. Neste local, agora adjacente ao maior cemitério de Roma, Verano, o imperador Constantino ordenou a construção de uma basílica, restaurada no século XX após os danos causados pelo bombardeio de Roma em 19 de julho de 1943.  É a Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, onde o corpo do santo está sepultado, na cripta da confissão, junto com os santos Estêvão e Justino. Os restos mortais foram descobertos durante os trabalhos de restauração durante o pontificado do Papa Pelágio II.

A poucos passos da Praça Campo de’ Fiori, na atual Praça della Cancelleria, está a Basílica dedicada a São Lourenço in Dâmaso. Foi construída pelo Papa Dâmaso, que, durante seu pontificado, teve o cuidado de preservar a memória dos mártires, daqueles que testemunharam a Verdade de Cristo com as palavras, as obras e o sangue. No Vaticano, no Museu da Basílica de São Pedro está preservada a cabeça de São Lourenço. No passado, a relíquia era exposta à veneração dos fiéis no dia 10 de agosto na Pontifícia Paróquia de Santa Ana, no Vaticano.

Foto do Papa: Arquivo – Vatican Media

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